A embolização de varizes pélvicas é um dos avanços mais importantes no tratamento da dor pélvica crônica causada pela Síndrome da Congestão Pélvica.
Muitas mulheres convivem por anos com desconforto, sensação de peso, dor que piora ao longo do dia e impactos na vida sexual sem imaginar que esses sintomas podem estar ligados a veias dilatadas dentro da pelve.
A boa notícia é que hoje existe um procedimento minimamente invasivo e seguro capaz de aliviar esses sintomas.
Portanto, conhecer como a embolização funciona, quando é indicada e quais benefícios oferece é o primeiro passo para entender que viver sem dor é possível!
O que são varizes pélvicas?
As varizes pélvicas são veias dilatadas, ou seja, veias que se alargam, se tornam tortuosas ou inchadas na região da pelve, que inclui órgãos como os ovários, útero e as paredes da cavidade pélvica. São similares às varizes presentes nos membros inferiores, só que em outra localização.
Mais especificamente, a Síndrome de Congestão Pélvica é a condição que ocorre quando essas veias não funcionam bem e provocam acúmulo de sangue e pressão nessa região.
Normalmente, as veias têm válvulas que ajudam o sangue a voltar em direção ao coração.
No caso das varizes pélvicas, essas válvulas podem falhar ou a anatomia pode favorecer o refluxo de sangue, ou seja, o sangue “vaza” para trás, fica estagnado ou acumula-se nas veias da pelve.
Esse mau funcionamento faz com que as veias se expandam e permaneçam dilatadas por mais tempo.
Por que essa condição acontece com mais frequência em mulheres?
As varizes pélvicas ocorrem com mais frequência em mulheres porque há combinações anatômicas, hormonais e reprodutivas que favorecem o surgimento da Síndrome de Congestão Pélvica e das dilatações venosas pélvicas.
Por um lado, é comum que as veias que drenam a pelve feminina, como as veias ovarianas e uterinas, não tenham válvulas tão eficazes ou ainda apresentem variações anatômicas que favorecem o refluxo sanguíneo.
Isso, por si só, já facilita o acúmulo de sangue nessa área. Além disso, a gravidez exerce uma carga considerável durante a gestação, o útero maior comprime as veias pélvicas, aumenta o volume sanguíneo e provoca dilatação das veias, o que pode deixar sequelas mesmo após o parto.

Por fim, temos que considerar os hormônios femininos.
O estrogênio, por exemplo, exerce um papel de relaxamento da parede venosa ou da regulação do tônus vascular, o que pode favorecer a estagnação ou o refluxo no sistema venoso pélvico.
Quais são os sintomas da síndrome da congestão pélvica?
Aqui estão os sintomas mais comuns da Síndrome da Congestão Pélvica incluem:
- Dor pélvica crônica (por mais de 6 meses), geralmente descrita como pesada, latejante ou em “arrasto”, que piora ao longo do dia;
- A dor tende a piorar depois de estar em pé ou sentada por longos períodos, ou após atividades que exigem esforço abdominal/levantar peso;
- A dor costuma se agravar antes ou durante o período menstrual, ou após relações sexuais (dispareunia).;
- Sensação de peso ou desconforto na região pélvica, às vezes com irradiação para costas ou coxas;
- Presença de varizes visíveis na região vulvar, nas coxas ou nádegas, ou veias dilatadas na pelve (essas últimas identificadas à ultrassonografia);
- Sintomas urinários ou intestinais, por exemplo urgência para urinar, incontinência de esforço, constipação ou diarreia;
- Dor lombar ou desconforto nas costas que acompanham a dor pélvica.

Como realizamos o diagnóstico dessa condição? Quais exames são utilizados?
O processo de diagnóstico normalmente começa com uma consulta detalhada, em que o investigamos a presença de dor pélvica crônica, fatores que pioram os sintomas e histórico obstétrico.
Depois dessa primeira etapa, os exames de imagem ajudam a confirmar a suspeita.
Costumamos solicitar a ultrassonografia transvaginal com Doppler, porque permite visualizar veias pélvicas dilatadas e avaliar o fluxo sanguíneo.
Em casos em que é necessário um detalhamento maior, utilizamos a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética da pelve para mostrar com clareza a anatomia venosa e descartar outras condições que também podem causar dor pélvica.
Porém, o exame considerado padrão-ouro para confirmar o diagnóstico é a flebografia pélvica.
Nesse procedimento, o contraste é injetado nas veias para observar diretamente o refluxo e mapear com precisão quais vasos estão dilatados.
O que é a embolização de varizes pélvicas?
A embolização de varizes pélvicas ou tratamento endovascular da Síndrome de Congestão Pélvica (SCP), é um procedimento minimamente invasivo que visa fechar veias dilatadas ou com refluxo na região pélvica para aliviar sintomas como dor crônica.
Ele funciona ao impedir que o sangue “vaze” ou fique estagnado em veias que deveriam drenar para o coração, reduzindo a pressão e o volume de sangue nessas veias anormais.
Diferentemente de uma cirurgia aberta, esse procedimento é feito com acesso por cateter, com menos trauma para o paciente e recuperação mais rápida.
Para realizar a embolização, preparamos a paciente com jejum e suspensão de determinados medicamentos.
O procedimento ocorre com o uso de sedação ou anestesia local.
Um pequeno acesso vascular é feito, normalmente pela veia da virilha ou da região do pescoço, e um cateter fino é guiado com auxílio de raios-X (fluoroscopia) até as veias pélvicas que apresentam refluxo ou dilatação.
Uma vez posicionado o cateter na veia alvo, injetamos contraste para delinear o trajeto da veia e confirmar os vasos que serão tratados.
Em seguida, introduzimos materiais de embolização, como pequenas molas metálicas, plugs, ou agentes esclerosantes líquidos/espuma.
O objetivo é bloquear permanentemente o fluxo sanguíneo naquela veia defeituosa.
Após a liberação dos agentes, fazemos nova fluoroscopia para garantir que o refluxo cessou e que o vaso foi ocluído com êxito.
O cateter é então removido e a paciente segue para observação por algumas horas.
Na maioria dos casos, o retorno às atividades leves ocorre em 1 a 2 dias, e a recuperação plena em cerca de uma semana.
O procedimento geralmente é realizado por um médico Radiologista Intervencionista ou Cirurgião Vascular, mas sempre indicado por uma Ginecologista.
A embolização é segura? Qual é o tempo de recuperação após o procedimento?
A embolização é considerada um procedimento seguro, especialmente por ser minimamente invasivo e realizado com anestesia local e sedação leve.
As complicações são raras e, quando acontecem, costumam ser leves, como dor pélvica temporária, náuseas ou pequenos hematomas no local da punção.
Como não há cortes cirúrgicos e o acesso é feito por um cateter fino guiado pelas veias, o risco de sangramento, infecção ou problemas mais graves é baixo quando o procedimento é realizado por um profissional experiente.
Além disso, a recuperação costuma ser rápida.
A maioria das pacientes volta para casa no mesmo dia e retoma atividades leves em 24 a 48 horas.

Um desconforto pélvico pode persistir por alguns dias, mas melhora com analgésicos simples.
Em geral, a recuperação completa ocorre dentro de uma semana, permitindo o retorno gradual ao ritmo normal.
Há formas de prevenir o agravamento das varizes pélvicas? Qual a importância de contar com o acompanhamento da ginecologista?
Embora não exista uma forma garantida de impedir o surgimento das varizes pélvicas, alguns cuidados podem ajudar a evitar o agravamento do quadro e reduzir o impacto dos sintomas.
Assim, é importante:
- Evitar longos períodos em pé ou sentada sem movimentação;
- Controlar o peso;
- Tratar adequadamente problemas hormonais;
- Acompanhar de perto alterações do ciclo menstrual;
- Manter um estilo de vida ativo.

Essas estratégias contribuem para melhorar a circulação pélvica e minimizar o acúmulo de pressão nas veias.
Além disso, após a gestação, é importante observar qualquer dor pélvica persistente, já que a gravidez é um dos principais fatores associados ao desenvolvimento dessa condição.
Nesse processo, o acompanhamento regular com a ginecologista é fundamental.
A especialista é quem identifica precocemente sinais suspeitos, orienta os exames necessários, diferencia a congestão pélvica de outras causas de dor e encaminha para o tratamento adequado.
Lembre-se: cuidar da saúde pélvica exige atenção contínua, e contar com uma especialista é a melhor forma de garantir diagnóstico preciso e intervenção no momento certo.
Agende sua consulta com a ginecologista e cuide do seu bem-estar com segurança!
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