Quando chega o final da gestação, uma dúvida comum é: “Meu corpo já está pronto para o parto?”, e aí que entra o índice de Bishop!
Essa é uma ferramenta simples, mas muito importante para avaliar se o colo do útero está favorável para um parto vaginal, seja ele espontâneo ou induzido.
Ele funciona como um termômetro que ajuda a obstetra a entender em que fase o corpo está e quais caminhos seguir para um parto seguro.
Portanto, conhecer esse índice é uma forma de trazer mais tranquilidade, informação e participação ativa nesse momento tão esperado.
O que é o Índice de Bishop e qual a sua função na obstetrícia?
O Índice de Bishop é uma escala que utilizamos na obstetrícia para avaliar o preparo do colo do útero para o parto vaginal.
Criado em 1964 por Edward Bishop, o método leva em consideração características do colo uterino observadas no exame de toque, como dilatação, apagamento, consistência, posição e altura da apresentação fetal.
A partir dessa pontuação, conseguimos estimar a probabilidade de evolução favorável para um parto vaginal espontâneo ou com indução.
Quanto maior o índice, maior a chance de o corpo estar pronto para o trabalho de parto.
Já valores baixos indicam que o colo ainda não está favorável, auxiliando na decisão clínica sobre indução ou necessidade de preparo cervical.
Como calculamos o Índice de Bishop e quais critérios avaliamos?
Calculamos o Índice de Bishop por meio do exame físico do colo uterino durante o toque vaginal, no qual atribuímos uma pontuação para cinco critérios:
- Dilatação;
- Apagamento;
- Consistência;
- Posição do colo do útero;
- Altura da apresentação fetal.
Cada item recebe uma nota que varia conforme o grau de preparo cervical, e a soma final determina se o colo está favorável ou não para o parto, conforme descrito originalmente por Bishop e reforçado por diretrizes de entidades como a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

Qual pontuação é considerada favorável? O Bishop alto garante que o parto será vaginal?
Considerando a tabela original de Bishop, uma pontuação igual ou superior a 8 costuma ser considerada favorável para o parto vaginal.
Isso indica que o colo do útero está maduro e com boas chances de evolução espontânea ou de sucesso na indução.
Contudo, um Bishop alto nem sempre garante que o parto será vaginal, embora aumente bastante a probabilidade de uma indução bem-sucedida ou da evolução espontânea do trabalho de parto.
O índice é apenas um indicador de favorabilidade cervical, mas outros fatores também influenciam o desfecho, como, por exemplo:
- Posição e tamanho do bebê;
- Dinâmica das contrações;
- Condições maternas;
- Tempo de trabalho de parto;
- Eventuais intercorrências.
Portanto, um Bishop elevado é um sinal positivo de que o corpo está preparado, mas o parto vaginal dependerá da evolução clínica durante o processo.
Para saber quando a cesárea é indicada, confira esse artigo em nosso blog!
O que significa ter um Bishop baixo e como isso influencia o trabalho de parto?
Um Bishop baixo significa que o colo do útero ainda não está maduro o suficiente para o parto, indicando pouca dilatação, apagamento reduzido, colo mais rígido ou posteriorizado e apresentação fetal ainda alta.
Quando a pontuação é baixa, a chance de o trabalho de parto evoluir espontaneamente é menor e a indução pode ser menos eficaz.
Isso aumenta o tempo até o nascimento e a necessidade de intervenções complementares.
Nesses casos, costumamos considerar métodos de preparo cervical antes da indução.

É possível melhorar o Índice de Bishop antes da indução do parto? Como?
Sim, é possível melhorar o Índice de Bishop antes da indução do parto, e isso é feito por meio de técnicas que ajudam a amadurecer o colo do útero.
Confira abaixo:
Métodos farmacológicos
Incluem principalmente o uso de prostaglandinas que atuam diretamente no colo do útero promovendo amolecimento, apagamento e início gradual da dilatação.
Utilizamos esses agentes quando o Bishop está desfavorável e podemos administrá-los por via vaginal ou oral, dependendo da indicação e do protocolo da maternidade.
Podem ser suficientes para desencadear o trabalho de parto ou ser associados à ocitocina posteriormente.
Métodos mecânicos
O mais utilizado é o balão intracervical, que inserimos no colo do útero e insuflamos para gerar pressão local.
Esse estímulo mecânico favorece a liberação natural de prostaglandinas e contribui para a dilatação progressiva.
É considerado um método seguro, com menor risco de hiperestimulação uterina em comparação a prostaglandinas, e podemos indicar para gestantes com algumas contraindicações ao uso medicamentoso.
Descolamento de membranas
Técnica realizada durante o exame de toque, onde separamos suavemente as membranas ovulares da parede do colo, estimulando a liberação de prostaglandinas endógenas.
Dessa forma, temos uma chance maior de o trabalho de parto iniciar nas próximas horas ou dias.
Embora não seja indicado para todas as gestantes, pode ser uma alternativa quando o colo permite o procedimento e não há contraindicações, sendo mais eficaz em mulheres próximas ou após 40 semanas.
É importante dizer que essas estratégias ajudam a tornar o colo mais favorável, permitindo uma indução com maiores chances de sucesso.
Assim, reduzimos intervenções posteriores, contribuindo para um parto vaginal seguro.
Como a gestante pode se preparar para um parto vaginal seguro?
Preparar-se para o parto vai muito além de esperar o momento chegar.
Há diversas atitudes que a gestante pode adotar ao longo da gestação para favorecer um parto vaginal seguro, confortável e com menor chance de intervenções.
A seguir, compartilhamos algumas estratégias:
Consultas frequentes permitem identificar precocemente riscos, monitorar o desenvolvimento do bebê e ajustar condutas quando necessário.
Técnicas de respiração e relaxamento
Práticas como respiração diafragmática, yoga e mindfulness ajudam no controle da dor e no foco durante as contrações.

Manter alimentação equilibrada e hidratação adequada
Uma dieta rica em nutrientes ajuda no ganho de peso saudável, evita complicações como diabetes gestacional e favorece energia durante o parto.
Exercícios físicos orientados
Atividades como caminhada, alongamentos, Pilates e exercícios pélvicos podem melhorar a força muscular e facilitar o trabalho de parto, desde que autorizados pela obstetra.
Quer entender como funciona a fisioterapia pélvica? Confira esse artigo completo em nosso blog!
Educação para o parto
Cursos, rodas de gestantes e informações baseadas em evidências reduzem a ansiedade, aumentam o protagonismo da mulher e auxiliam nas decisões durante o parto.
Plano de parto alinhado com a equipe
Definir preferências e conversar sobre expectativas com a obstetra e a equipe de assistência torna o momento mais seguro e humanizado.
Quer saber o que significa ter um parto humanizado? Acesse esse texto em nosso site!
Quando conversar com a obstetra sobre o Índice de Bishop? Qual é o papel da especialista na avaliação do Bishop e na decisão sobre a via de parto?
A conversa sobre o Índice de Bishop pode ser iniciada principalmente no final da gestação, geralmente a partir de 37 semanas, momento em que o colo do útero começa a se modificar naturalmente para o parto.
A obstetra é responsável por avaliar o Bishop por meio do exame de toque vaginal, interpretar a pontuação e discutir com a gestante qual é a chance de um parto vaginal ocorrer espontaneamente ou com auxílio de indução.
Iremos considerar não apenas o índice, mas também as condições maternas, posição fetal, histórico clínico e segurança do bebê.

Além disso, orientamos sobre as opções caso o Bishop esteja baixo, explicando métodos de preparo cervical quando necessários e acompanhando a evolução de forma individualizada.
Então, em caso de dúvida, agende uma consulta agora mesmo!
Vamos avaliar seu caso e planejar o nascimento com tranquilidade e apoio profissional.
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