A biópsia do endométrio é um exame simples de realizar, porém essencial para investigar alterações no revestimento interno do útero.
Ela permite analisar de forma detalhada o tecido endometrial e identificar possíveis causas de sangramentos anormais, cólicas intensas, irregularidades do ciclo ou alterações detectadas em outros exames.
Em muitos casos, é a biópsia que confirma diagnósticos importantes e orienta o tratamento adequado, garantindo mais segurança e clareza sobre a saúde da mulher.
Mas afinal, quando esse exame é realmente necessário?
Continue lendo para descobrir!
O que é o endométrio e qual é o seu papel no ciclo menstrual?
O endométrio é a mucosa que reveste internamente o útero e desempenha papel fundamental no ciclo menstrual e na reprodução.
Durante cada ciclo, sob a influência dos hormônios femininos, principalmente o estradiol e o progesterona, esse tecido se espessa, torna-se vascularizado para receber um possível embrião.
Se a fertilização não ocorrer, a queda desses hormônios leva ao desprendimento da camada funcional do endométrio e, consequentemente, à menstruação.
Já em caso de implantação de um embrião, o endométrio passa a sustentá-lo e colaborar para o desenvolvimento da gestação, formando a base do que virá a ser a placenta.
Portanto, o endométrio não é apenas “o tecido que se descama todo mês”, mas sim uma estrutura dinâmica que alterna entre crescimento, preparação e renovação em função da fertilidade feminina.

O que é a biópsia do endométrio? Por que esse exame é tão importante na saúde ginecológica?
A biópsia do endométrio é um exame em que coletamos uma pequena amostra deste tecido que reveste internamente o útero para enviá-la ao laboratório e analisar ao microscópio em busca de alterações celulares, tecido anormal ou sinais de doenças.
Esse procedimento é extremamente importante na saúde ginecológica porque permite investigar com precisão o que está provocando sintomas como sangramento uterino irregular, sangramento após a menopausa ou espessamento excessivo da camada endometrial.
Além disso, ele auxilia na detecção precoce de condições graves como hiperplasia endometrial ou câncer de endométrio.
Vale ressaltar que este não é um exame de rotina, sendo realizada apenas quando existe uma suspeita clínica ou diagnóstico específico que precisa ser investigado.
Assim, a biópsia do endométrio atua como uma ferramenta essencial para orientar o tratamento adequado, evitar progressão de doenças graves, e oferecer respostas claras para mulheres que apresentam alterações.
Em quais situações a biópsia do endométrio é necessária?
Entre as principais situações em que a biópsia do endométrio costuma ser necessária, podemos destacar:
- Sangramento uterino anormal em mulheres acima de 45 anos: nessa faixa etária, o risco de alterações hormonais importantes e de doenças que afetam o endométrio aumenta, por isso qualquer sangramento irregular exige investigação;
- Sangramento irregular persistente em mulheres mais jovens: quando mulheres abaixo de 45 anos apresentam ciclos muito desregulados, sangramentos prolongados ou repetitivos, a biópsia pode ser solicitada;
- Sangramento após a menopausa: após cessar os ciclos menstruais, qualquer sangramento é considerado anormal e deve ser investigado;
- Espessamento endometrial identificado no ultrassom transvaginal: quando o exame mostra que o endométrio está mais grosso do que o esperado para a fase da vida da paciente, a biópsia auxilia a identificar se essa alteração é benigna ou alguma doença mais séria;
- Suspeita de hiperplasia endometrial: esse crescimento exagerado do endométrio pode vir acompanhado de células anormais (atipias) e evoluir para câncer se não for tratado;
- Investigação de possível câncer de endométrio: a biópsia é um dos exames mais importantes para detectar precocemente o câncer;
- Avaliação da causa de infertilidade em casos selecionados: em algumas situações, utilizamos a biópsia para avaliar a qualidade do endométrio e identificar inflamações, infecções crônicas ou alterações que podem prejudicar a implantação do embrião.
Que doenças e condições podemos detectar por meio da biópsia do endométrio?
Aqui estão as principais doenças e condições que podemos identificar por meio da biópsia do endométrio:
- Hiperplasia endometrial: crescimento exagerado do endométrio, com ou sem atipias, que pode evoluir para câncer se não tratado;
- Câncer de endométrio: a biópsia é o exame mais importante para confirmar ou descartar tumores malignos no revestimento uterino;
- Atrofia endometrial: afinamento do endométrio, muito comum na menopausa, que pode explicar sangramentos pós-menopausa;
- Pólipos endometriais: embora o ultrassom e a histeroscopia visualizem melhor os pólipos, a biópsia pode detectar tecido polipóide ou alterações associadas;
- Endometrite crônica: inflamação persistente do endométrio, muitas vezes relacionada à infertilidade ou sangramento irregular;
- Infecções específicas do endométrio: como tuberculose endometrial em regiões onde a doença é mais prevalente;
- Alterações hormonais do ciclo: padrões endometriais que mostram ausência de ovulação (anovulação), fases luteínicas inadequadas e respostas hormonais irregulares;
- Lesões pré-malignas: como hiperplasia com atipia, considerada precursora direta do câncer de endométrio.

Como realizamos a biópsia do endométrio? O procedimento dói?
Realizamos a biópsia do endométrio no consultório ou em ambiente ambulatorial e o procedimento costuma durar apenas alguns minutos.
A paciente fica em posição ginecológica e introduzimos um espéculo para visualizar o colo do útero, assim como ocorre em um exame de rotina.
Em seguida, passamos um cateter fino e flexível pelo colo até o interior do útero para aspirar uma pequena amostra do endométrio.
Todo o processo é rápido e não envolve cortes.
Quanto ao desconforto, a sensação varia de mulher para mulher. Muitas relatam apenas cólicas leves e uma pressão momentânea, semelhante à cólica menstrual, enquanto outras podem sentir um pouco mais de sensibilidade quando o cateter entra na cavidade uterina.
Na maioria dos casos, não é necessária anestesia, apenas analgesia simples antes ou após o procedimento.
Porém, em mulheres com colo uterino mais sensível, histórico de dor intensa ou fatores que dificultam o exame, podemos optar por anestesia local.
Após o término, a paciente geralmente pode voltar às atividades normais no mesmo dia.
A biópsia pode ser também realizada de forma dirigida, ou seja, olhando o que se está biopsiando.
Isso é feito através de um exame chamado histeroscopia, no qual uma câmera é inserida através do colo uterino.
No nosso blog, temos artigos sobre a histeroscopia diagnóstica e a historoscopia cirúrgica, acesse para saber mais!
Como a paciente deve se preparar? Quais os cuidados necessários após o procedimento?
Em geral, orientamos evitar relação sexual, duchas internas e o uso de absorventes internos por um a dois dias antes do procedimento.
Algumas pacientes podem receber indicação de tomar um analgésico cerca de 30 a 60 minutos antes para reduzir possíveis cólicas durante e após a coleta.

Também é importante informar à ginecologista qualquer uso de medicamentos, especialmente anticoagulantes, além de relatar alergias, gravidez suspeita ou alterações recentes no ciclo.
Depois do procedimento, é comum sentir cólicas leves e notar um pequeno sangramento, algo que costuma melhorar em poucas horas ou ao longo de um ou dois dias.
Recomendamos evitar relações sexuais, uso de absorvente interno e exercícios físicos intensos por pelo menos 24 a 48 horas, seguindo a orientação do médico.
Aplicar calor local pode ajudar no alívio das cólicas, e o uso de analgésicos simples também é permitido, se necessário.
Quando repetir o exame? Qual a importância do acompanhamento com a ginecologista?
A repetição da biópsia do endométrio depende do motivo inicial do exame e dos resultados obtidos.
Em alguns casos, especialmente quando há achados inconclusivos ou quando a paciente apresenta novos sintomas como sangramentos irregulares, cólicas persistentes ou alterações no ciclo.
Também podemos solicitar uma nova coleta para confirmar o diagnóstico ou acompanhar a evolução do tratamento.
Em situações de hiperplasia endometrial, por exemplo, repetir o exame é importante para avaliar se o endométrio respondeu corretamente à terapia hormonal.
Por isso, o acompanhamento contínuo com a ginecologista é essencial.

Avaliamos o contexto clínico, interpretamos os resultados com precisão, monitoramos a saúde do útero ao longo do tempo e orientamos os próximos passos de forma personalizada.
Esse cuidado preventivo evita complicações, permite diagnósticos precoces e traz mais segurança para cada fase da vida reprodutiva e pós-menopausa.
Assim sendo, para saber se você precisa realizar esse exame, agende uma consulta com a especialista ainda hoje!
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